Por que a ciência só poderia nascer em um ambiente católico? E o falso dilema entre fé e razão.


Ao longo de séculos nós tateamos no escuro o mundo que nos circundava, por milênios, até que vieram dois homens de envergadura incomparável e nos deram o mundo que nós hoje chamamos de ocidente, e que eu posso assumir a identidade que está em nossa natureza, chegando ao extremo da liberdade de até mudar de sexo embora meus cromossomos ainda insistam contra a natureza que sonda e ronda minha mente. Sócrates e Cristo. Um no saber, outro, o próprio Deus, na revelação divina.

Não seria possível criar uma ciência, assim como nós a temos no Ocidente sem esses dois marcos humanos na história. Impossível é criar uma ciência sem questões, sem indagações, sem incomodar, sem tirar do lugar comum o indivíduo humano. Isso Sócrates fez como ninguém. Incomodou poderosos, fez perguntas inconvenientes porém necessárias, expandiu mentes, confundiu outras, e foi morto justamente pelo que fazia em vida, indagar, perguntar, afrontar, e manter a fidelidade à sua esposa de toda a vida, a verdade. Usou lógica, fez aforismos, que mais tarde Aristóteles, outro homem de envergadura rara na história da humanidade, organizaria e alicerçaria o que hoje chamamos de Filosofia, Você já imaginou uma ciência sem dogmas (sim, Ciência tem dogmas, não sabia?), sem aforismo e sem silogismos. Apesar dos últimos dois serem usados por excelência na Filosofia, também são usadas na Ciência. Algo para ser validado cientificamente precisa de um ambiente intelectualmente estável, como vamos encontrar no catolicismo.

Você sabia que faltam exorcistas na Igreja Católica. E pior, diferente da IURD ou das religiões neo-pentecostais, que incluem em seu panteão de demônios arquétipos de religiões de matriz africana, e os "exorcismos" são feitos a qualquer momento, em qualquer ambiente, como se o demônio andasse por aí desocupado com o que mais põe almas a perder, que é a tentação, e ao invés de fazê-lo, andasse feito palhaço de circo no púlpito das igrejas de placas mais humildes. 

Na Igreja Católica há um rigor racional, uma busca pela verdade situacional do fiel em questão. São envolvidos psiquiatras, psicólogos e até neurologistas, para daí então a Igreja tomar uma decisão embasada: exames ok, exorcismo, exames estranhos, assunto puramente médico, o que não pode impedir a oração de um ou mais padres e até de fieis irmãos da fé. 

Mas o que realmente quero dizer é que não haveria Ciência num ambiente não católico, e por uma razão: a hierarquia, organização e estabilidade da Igreja. Só se pode estudar algo com no mínimo algo de estabilidade: quatro estações; nascimento, idade adulta e morte; manhã e noite, maré, quatro estações etc, Para nós católicos, o autor do universo e desse ciclo circadiano que passa o universo, foi estabelecido pela vontade de Deus, o que nos dá uma base firme para fazer ciência e esperar os mesmos resultados sempre, uma vez que a natureza é previsível, porque Deus a fez assim, e o próprrio Deus é previsível. Outra questão sensível na ciência é a acessibilidade das coisas, uma vez que o Deus judaico-cristão é acessível, diferente do Deus da umbanda ou do islamismo, que são intangíveis, e não podem jamais serem acessados. Um Deus acessível só poderia criar uma natureza acessível e previsível, portanto, propícia ao estudo. Tudo isso nos foi mostrado pelo próprio Deus, naquele homem que citei lá em cima, Jesus de Nazaré. Sócrates desconfiou, Aristóteles alicerçou, Cristo revelou e confirmou, e Santo Tomás, o "Aristóteles" de Cristo, traduziu o que faltava para a Europa. Num ambiente assim, pôde-se fazer Ciência,

Comentários